domingo, março 3

Das coisas

Queria coisas banais, mas tem dias como hoje, domingo, nublado que aparecem com mais força. Aparecem simplesmente porque elas não existem e acenam na minha cara, oi? você não tem dinheiro, namorado, família e nem amigos, tudo o que eu tenho se encontra longe ou inacessível. Eu tenho um bando de compromissos. E uma cabeça que não anda bem muito tempo e é a única coisa que posso dar como certa, que minha cabeça conseguirá achar a forma de sair dessa, já parei várias vezes, estática, esperando qual vai ser a próxima. Qual vai ser a próxima coisa que precisarei abandonar para seguir em frente, quem ficará pra trás dessa vez? Começo a acreditar que essa pessoa sou eu mesmo. Terei que desacreditar de tudo para começar de novo. Terei que abandonar todas as coisas novamente. Será a quarta vez. Das cortinas na janela, adesivos do banheiro aos girassóis.  E não posso olhar pra trás, porque esse direito nunca me foi dado.

Ninguém nunca soube de nada de mim, por isso é tão fácil inventar uma Cristal para cada ocasião, se vamos beber vamos até cair, se vamos nos mudar, vamos mesmo! Se vamos trabalhar, se vamos! E a Cristal de verdade? Que dorme sozinha, que anda feito um autômato, que faz as coisas pela simples obrigação de permanecer viva? Eu tenho medo de rir. Porque ser feliz implica ser infeliz dois minutos depois.

Quando eu vim, vim por um motivo, queria viver perto do meu amor, e isso bastaria para todo o sempre. Mas não bastou, o namoro não deu certo, os motivos? Diversos.

Não quero reaprender a andar. Não quero abandonar meus sonhos. O que eu daria para poder ficar aqui parada pra sempre?
Só queria me redimir comigo. Dizer de uma definitivamente que fiz o melhor e poder acreditar nisso. Mas também o fiz das outras vezes, o melhor eu digo.  Me dá desespero pensar que terei que tomar essa decisão. Sozinha. E depois da decisão tomada, continuar. Mas não quero pagar esse preço. Minha mente me avisa: seu contrato foi renovado. Mais um ano, menos um ano? Mais 9 mil reais de aluguel por ano? Pra que? Esse emprego que odeia, pra que? Por quem? Pra onde você vai andar Cristal?
NÃO SEI!!!! Não sei!!!!!! Não sei.... eu só preciso dar um passo por vez. Mas pra onde?
Já fiz muitas escolhas difíceis, mas sei o quanto custaram e o quanto doeram ou doem até hoje. Como foi difícil em todas as épocas, mas eu conseguia um passo por vez. Olhando para trás parecia mais fácil na época, muito mais fácil que agora.
Eu deveria ter me protegido. Eu deveria ter protegido as pessoas que eu amo. Deveria ter tido essa capacidade.  
Queria uma mão para segurar quando sentisse medo, queria poder sentir medo. Queria ter com quem dividir meus fracassos, e minhas vitórias quando elas aparecessem. Queria desarmar. Queria poder planejar meu futuro. Queria decidir se ando pra frente ou se retorno. Queria que alguém me ajudasse quando as coisas não dessem tão certo ou ouvir no final do dia que tudo daria certo de alguma forma. Queria alguém que me ouvisse sem me julgar. Ou que a roda da vira girasse depressa. Queria ouvir o barulho de chave na janela. Queria voltar ao passado, onde eu tinha algo além de desalento e ficar lá no passado, imóvel.
Queria chorar sem pudores e admitir que não tenho nenhum rumo a seguir, que me encontro presa como nunca antes estive, entre meu passado e presente, sem nenhuma noção do futuro.
Que eu erro, se erro, erro muito, tenho muitos defeitos!

Queria ter uma ou duas certezas. Queria poder parar e pensar, poder decidir. Queria poder ser eu. Sem ressalvas. Sem ser assustada. Sem ser triste.  
Eu não tenho a mínima ideia do que farei. Ou quando. Uma coisa eu sei, que a hora vai acabar chegando, as coisas se ajeitarão para o melhor ou para o pior, e me resta começar a me preparar para isso.  

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