sábado, março 9

Dedo do destino.

Cortei o dedo na lata de leite condensado, só queria comer um doce, ia fazer um brigadeiro, estava entediada com a bagunça, triste com as coisas da vida e não queria tomar um remédio pra dormir. O que esse corte desencadeou foi tão chocante que até agora depois de ter fumado uns cinco cigarros e tomado dois calmantes ainda não caiu a ficha. Eu surtei. No sentido literal da palavra. Achava que surtar era para os outros, crise de nerfs essas coisas. Chorei convulsivamente porque achei que ia morrer. Não por causa do corte obviamente, mas sei lá pelo que. Todos sabem que corte nos dedos sangram muito (menos eu é claro), mas quando olhei a pia cheia de sangue, o sangue pingado pelo apartamento (na minha paranóia fiquei andando de um lado para o outro sem noção do que fazer) e achei que era o fim. Sem exagero achei que fosse morrer sangrando (por causa de um corte no dedo é claro, aff) na minha loucura ia morrer e ninguém se daria conta. Ninguém ia dar falta, acho que com isso meus batimentos aceleraram sei lá e a porra do dedo não parava de sangrar e pensei em ligar pra minha mãe, mas num ponto de lucidez achei que a deixaria nervosa a mil quilômetros de distância achando que tinha cortado os pulsos. Liguei para o Marcos e soube que esse tipo de corte é assim mesmo, nada de mais. A não ser pelo meu surto. Porque todas as minhas coisas são assim, nada de mais, mas eu me apavoro. Preciso de ajuda. Não tenho mais condições de viver nesse fio de nylon achando que a morte me espreita em um pequeno corte. Estou totalmente delirante e paranóica e esse episódio foi mais que a confirmação que estou pior que imaginava, muito muito pior. Fiquei vários minutos sentada no sofá sem saber o que fazer e oi? Era só um corte no dedo. Era um bom corte é claro, mas era só um corte. Chorei tanto, mas tanto, e estou chorando ainda porque eu estava vendo um filme, estava cozinhando e puxa só queria uma vida normal estou me esforçando, não? E tudo caí, em um corte, isso mostra que estou tão esgotada que não seguro mais nada, um corte no dedo, meia palavra que não entendo, tudo é motivo para eu desabar. É uma fase muito ruim essa. Estou com medo de mim, se uma coisa assim acontece no meu trabalho? Se eu tiver um surto assim no meio da minha sessão? Andando pela rua? Preciso me tratar.

4 comentários:

Dani disse...

Cristal... te leio há bastante tempo, ainda que n tenha comentado nenhuma vez. Aliás, te leio pelo reader, então nunca vim aqui. Pra ser sincera, vim ver quais comentários as pessoas postam em posts como esse, mas aqui estou eu escrevendo um - meio embalada pelo vinho que tomei agora há pouco sozinha pq meu namorado não sabe lidar com vinho branco. Mas assim: passa. o surto passa. o medo passa. e segunda ta aí e a gente precisa lidar. a vida tá aí e a gente precisa aprender a lidar. nem que seja encarnando a normalidade enquanto por dentro a gente tá dando gargalhadas histéricas. No final, o comentário saiu mais pra mim que pra ti, mas tamos junto ae de qualquer forma ;´)

Nádia Galdino disse...

eu literalmente surtei há dois anos quando admiti pra mim mesma que teria que trancar a faculdade: POIZÉ. 4 horas chorando sem parar, de soluçar, de madrugada... mas passou. O desespero sempre passa, uma hora a gente se acalma e consegue dar conta das coisas de novo. Você ainda tem a vantagem de saber meditar hahaha

:*

rafaela disse...

O corte foi só o que você precisava pra chorar tudo que tava engasgado.

CLARABELA disse...

Chorei demais pq minha mãe falou q nunca mais colocaria batata na carne assada.p mim. Precisamos d ajuda pq não aguentamos perder mais nada.