domingo, abril 14

Dia esquisito

São nove e meia da manhã, acordei com dor na nuca, já fumei quatro cigarros comi dois pães com café puro, lembrei do chuveiro que não esquenta, do microondas a consertar, do dinheiro que está não sei onde, só não está comigo, perambulei pelo apartamento com uma certeza quase absoluta que não daria mais conta.
Eu não chorei nem nada, só percebi que sozinha vai ser muito mais difícil do que imaginava.
Minha alergia na mão começou a coçar loucamente e queria poder voltar para a cama, mas só tem uma coisa, eu não POSSO desistir mais, não tenho esse direito e nem direito a descansar ou me deixar afundar só mais um pouquinho.

Quis beber, tomar um pileque as oito da manhã, mas também não posso porque isso pode virar rotina, não tem remédios para dormir, pensei em tomar um remédio para emagrecer só para me dar pique, mas algo disse "essa porra não vai dar certo" - tipo aquela paranoia de morrer sozinha e ser encontrada pelo fedor com as pessoas pensando que me matei.

Meu apartamento está fedendo a cigarro que esse Hollywood fede pra caralho, eu pareço fedida saca, apesar de saber que não.

Tem uma parte de mim que garante que vai dar tudo certo e uma parte que fica me perguntando: COMO VAI DAR CERTO? EU QUERO SABER COMO E QUERO AGORA!
Não tenho mais paciência para ser otimista, nem idiotice para ser mais pessimista, então parei estática na coluna do meio, nem tanto um lado, nem tanto o outro, estou em cima do muro. De um lado te as coisas que quero e preciso fazer, do outro tem uma vida jogada fora.

É uma merda ter que fazer tudo sem olhar nem pra trás e nem pra frente, só pensar no desafio de agora. Porque tudo pra mim é um desafio, levantar da cama, arrumar apartamento, tudo é feito com 3x mais esforço do que o normal.

Mas tenho que fazer e vou fazer, meu apartamento vai continuar do jeito que está, ninguém nunca vai aparecer para saber como estou e não pretendo ficar a mercê, apesar de querer.






Um comentário:

Alexandre disse...

Nunca tomei remédios para dormir, o que faço é encher a cara e fumar bastante. Tem algo reconfortante em dormir bêbado e fedendo a cigarros. É como se tivesse feito alguma coisa que valeu a pena naquele dia.