quinta-feira, maio 2

Admito.

Hoje gastei todo o dinheiro que não possuo com compras inúteis, estava indo bem esses dias mas recaí nas minhas drogas prediletas: compras.
Exceto pelos dois pares de sapato eu não precisava em absoluto de tudo o que comprei, brinco, uma aliança solitária que estava querendo (folheada é claro, que ouro não podemos no momento) um blush, um prendedor de cabelo e mais umas traquitanas inúteis, é claro que sei que não posso, e não fui tomada por uma força maior que me mandou fazer nada, tipo: compre isso ou aquilo, estourei novamente o cartão de crédito depois de todo o sacrifício para pagá-lo. Ah não tenho jeito você dirá e talvez até te dê razão. E não, não faço a mínima ideia de como pagá-lo.

É óbvio que sei que o o algo que preciso não está a venda, mas para o que está eu compro para preencher esse estranho espaço vazio e por uns momentos me sinto quase contente. Comprei um celular falsificado também que imita um Galaxy, simplesmente porque estava ali a venda. Não, não estou orgulhosa disso, mas não estou envergonhada também, sabe o que acontece comigo? Estou ansiosa, com problemas além da conta (dívidas por exemplo que nunca pagarei se continuar comprando dessa forma)  e a pseudo felicidade se encontra nisso, nas coisas que posso colocar a mão e dizer que é minha, nada mais posso fazer isso, nada na minha vida é constante o suficiente para que me sinta segura e quando posso segurar e comprar algo é como se aquela coisa pudesse minimizar todas as outras coisas que não tenho, como se aquela coisa material pudesse suprir o que me falta emocionalmente.

É claro e não perca seu tempo me informando que estou afundada, que não poderia fazer isso e yadda porque eu sei, como sei porque faço isso, mas o fato de saber não me impede de fazer. Aquele novo brinco me faz achar que serei bonita, e o mesmo acontece com aquele blush, por um momento me sinto bonita, me sinto dentro de algo que não minha habitual baixo auto estima.

Eu sonho com o dia que não precisarei de nada externo para me sentir bonita, feliz e alegre, mas sei que tudo isso me acompanha a tempo demais para que desapareça em um passe de mágica, não estou culpada por ter feito o que fiz, a culpa virá amanhã, hoje só me dou conta que continuo cavando meu buraco, com minhas próprias mãos e sem nenhuma noção de como fazer isso parar.


3 comentários:

Nádia Galdino disse...

Hábitos não se criam da noite pro dia, muito menos assim se desfazem. "Vícios", então. Não acho que você deva passar a mão na sua própria cabeça, mas pelo menos não foi uma bolsa da Arezzo... ;)

Alexandre disse...

Se é para afundar o pé na lama que seja com estilo. Gaste o dinheiro de seu suor em compras fodas em vez de inúteis. Também não tenho o dom divino de viver sem comprar. Mas se vou gastar meu dinheiro, tem que ser no mínimo incrível, para eu ficar me achando por semanas a fio e não essa felicidade instantânea de uma coisa que qualquer um pode ter.

G.K.B disse...

Quanto você gastou hoje, Cristal?

Hahahahaha. Mas entendo essa compusão. É um saco. Hoje saí para comprar um saparto e voltei com ele e uma BOTA. Uma bota que me custou 200 reais que não poderia ter gasto.

O problema é que somos bombardeados com propagandas consumistas. E as pessoas a nossa volta também são. É difícil não cair, quando todo mundo cai.

Tô louca para comprar um celular novo!