quinta-feira, janeiro 9

Situação delicadíssima - Desabafo cru.

Estou com um problema realmente grave com a minha mãe, por causa do alcool não vou explicar tudo, mas ela está muito mal, saúde, financeiro, sem falar que está literalmente morrendo por causa da bebida.

Está muito complicado esses dias. Todos querendo ajudar e de mãos amarradas. 

É uma tristeza enorme e incomensurável ver minha mãe nesse estado e ela não conseguir parar de beber.

Estou me sentindo culpada, porque apesar de tudo e talvez justamente por isso me fechei para qualquer pensamento depressivo, suspendi meu remédio por minha conta, estou com minha conta estourada, com outros problemas, pressão no trabalho e faço TUDO para ela melhorar, MENOS parar minha vida, estou me dedicando sobrenaturalmente ao trabalho, a ponto de me voluntariar para trabalhar no sábado, chegar uma hora adiantada, estou fazendo uma atualização de um curso de excel que me faz chegar em casa perto da meia noite e não me permito um minuto de ócio, durmo pouco, e empurro com tudo meus livros pra dentro totalmente sem permissão para sofrer, sem derramar meia lágrima mais, porque não estou nem um pouco a fim de sofrer. Já deram a entender que sou uma filha relapsa porque deveria voltar para o Rio para cuidar dela, só que vocês já tentaram cuidar de um alcoolatra? Se já... é sabido que não há nada a ser feito, a pessoa vai beber, mesmo você dando amor, apoio e o cacete no final, cruamente falando você vira babá para: limpar vômito, correr atrás da pessoa na rua e viver preocupada com acidentes que não pode evitar.

Eu SAÍ da minha própria casa com 17 anos para não ter que passar por isso, passaram 12 anos inteiros e... ela ainda é alcoolatra. Não digo que não é doença, jamais dei a entender que é safadeza, porém se fosse uma doença como "pedra na vesícula" a gente vai lá e arranca a vesícula, mas não é assim com a bebida, a pessoa foge, mente, esconde até beber, é um fato. 

É um vício egoísta que faz todos a volta beber junto, mesmo sem colocar uma gota de alcool na boca. Estou tomando cada vez mais nojo de bebida, virei praticamente abstêmia porque não quero um futuro sequer parecido com isso.

O fato da minha mãe ser alcoolatra influenciou TODA a minha vida. Optei por não ter filhos, passei uma existência me sentindo totalmente fora do mundo que as pessoas chamam de normal e sempre fiz de tudo para me envolver minimamente com outro ser humano exceto minha família, desenvolvi transtornos piscicológicos que me custam uma fortuna e muita saúde mental e o atravancamento da minha vida. Sou extremamente carente e acho que tenho a obrigação moral de aceitar as coisas porque é assim, minha auto estima é um lixo e vivo me colocando a prova diariamente, me acho incompetente e carrego minha vida com uma luta interna que envolve milhares de coisas. Não é isso que aparento, mas friamente é isso que sou. Me obrigo a estar sempre fazendo uma piada sobre algo, porque foi a opção que achei. 

Sou uma ótima filha, apesar da culpa, por tudo o que já passei e nunca nem cheguei perto de relatar as partes realmente ruins (se você achou que me conhecia, te dou certeza que tem mais coisa escondida que pode imaginar). Nunca deixei de apoiar e não julgo, meus laços são eternos, de amor, gratidão, respeito

Estou cansada, cansada de lutas perdidas por problemas psicológicos alheios, não ter tido família direito por causa de bebida, um pai alcoolatra, uma mãe alcoolatra. Uma vida. 

Não me dou mais o direito de carregar ninguém, porque eu me carrego apesar de tudo, porque eu também tenho problemas, uma vida toda pra cuidar e vivo constantemente superando dívidas, dúvidas, saudades, humilhações no trabalho e tenho muitas responsabilidades para me manter viva e minhas coisas, portanto apesar de querer e dar tudo para que ela pare de beber uma coisa jamais vou dar: minha existência.




Um comentário:

Felicia Luisa disse...

Olá Cristal,

Não tenho nada para falar diretamente a respeito do seu texto, pq já cantaram que cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é. Deixo apenas um abraço; estou na torcida do bem.