terça-feira, março 4

Preço

Tem gente que  diz que sou a pessoa mais egoísta do mundo, que coloco qualquer interesse meu a frente de qualquer outra pessoa, pois digo que é real.

Ninguém gosta de ser acusado, de ser humilhado, de ser colocado de lado, ninguém gosta de ouvir que suas escolhas foram no mínimo equivocadas, ninguém gosta de enfrentar família, trabalho que odeia em busca de um ideal. Aliás quem busca um ideal incessantemente ou é alguém muito forte ou alguém muito idiota.

JAMAIS vou deixar que ninguém diga o quanto paguei pelas minhas escolhas, porque ninguém pagou um centavo comigo, ninguém arcou com uma parcela, dos mils reais emocionais e reais, tudo o que fiz, o que faço quem está de mimimi, me julgando, me dizendo que as coisas são assim ou assado.  Ouvi trinta vezes, me defendi, defendi, para depois ler o quanto os sentimentos alheios são importantes, saúde alheia, coisas alheias, aceitei que seria a pessoa que não necessitaria de nada, aceitei que seria uma ingrata, carreguei sem pedir ajuda de ninguém, mas sou grata a toda ajuda, engoli meu orgulho até cansar, até que não tinha mais orgulho, acreditei, ouvi elogios a quem quer que fosse, ouvi e engoli, engoli com terra e com areia até o tempo me dar razão. Tenho uma estranha paciência para me vingar e de não sentir pena.

Ao contrário das pessoas que batem palma, dei minha cara pra quem quisesse bater, e bateram e bateram, até que parei de sentir. Minha casa é o templo de uma pessoa só. E estava lá, incansável, dando tudo o que possuía, mas foi se tornando pouco, pouco a pouco fizeram questão de acabarem com minhas coisas boas, minhas incapacidades foram alardeadas, foram colocadas em destaque, e eu tinha tantos, tantos defeitos, tantos que nem conhecia alguns, eu era uma nulidade para gerar qualquer coisa na minha vida, nada meu era bom o suficiente que não precisasse ser mexido.

Eu ouvi, não debai, as coisas simplesmente se tornaram o que eram, eu era uma incapacitada. Não sabia jogar o jogo. As pessoas viraram mocinhas e eu, a vilã mór. Aquela que não aceita.

Fui tachada de egoísta, má, ruim, uma pessoa que não leva ninguém em consideração e hoje me orgulho de ser essa pessoa. Acho que nunca senti tanto orgulho de ter me tornado algo, a vida não nos faz mais fortes, nos faz mais amargos. Há quem chore pelo que perdeu, a única coisa que me faz chorar foi pelas cosias que não tive, porque era ingênua. Porque queria o que todos tinham. Até ver que eu não era todos. Eu não era ninguém, para as pessoas indignas, nada sobra.

Quando algumas pessoas vêem o que me tornei, sentem pena, sentem que fiquei mais e mais dura, menos engraçada e que tinha cada vez menos para dar. Até que não tinha nada para dar. E fiquei doente, e a doença se tornou parte do que achava, por isso deixei de almejar qualquer coisa.

Não vejo sentimentos. Apenas fatos, e os fatos, nunca mentem.



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