segunda-feira, setembro 7

Insuportável?

Até um ano atrás eu jamais soube o que é odiar (odiar!!!!!!) o próprio trabalho, odiar a ponto de pensar que seria melhor quebrar uma perna, furar o olho com arame enferrujado, tomar surra de mãe, tudo era melhor.
Eu me arrastava pra vir trabalhar, não é arrastar de canseira e de desânimo, é arrastar de “porque trabalho em um lugar que me trata tão mal?” “porque me esforço tanto para ganhar pouco?” “porque trabalho tanto para uma empresa que nem sabe que faço parte do quadro de funcionários” “porque vou trabalhar se só lembram de mim para falar com desdém que fui primeiro lugar em vendas porque sou muito sortuda?” enfim, era esse tipo de questionamento diário, nunca vi ninguém ficar tão velha em um ano quanto eu, fiquei com cabelo branco, umas rugas fininhas perto do olho e aquela ruga da boca que gosto de chamar de ruga da amargura (de tanto ficarmos com a boca “pra dentro”).

O pior trabalho que existe é o trabalhar por necessidade e, ah Cristal, todo mundo trabalha por necessidade – não, nem todo mundo, e eu não terminei de falar: quando você não vê opção. Opção de sair, opção de tentar, opção de jogar tudo pro alto, aí realmente fica ruim trabalhar.

Já tive tremedeira, ataque de pânico, vontade de jogar alguém pela janela, vontade de ME jogar pela janela. Cheguei a ter raiva de quem ganhava melhor que eu, ou qualquer pessoa que considerava mais “feliz”.

Já assinei minha demissão tantas vezes na minha cabeça que quase piro quando lembro que trabalho aqui, para essas pessoas, não melhorei o meu ódio, só não odeio mais porque odiar gasta energia e deixa a gente maluco, mas agora tenho uma estratégia para sair dessa, só de ter essa estratégia torna mais suportável o insuportável.




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