domingo, fevereiro 27

Última parada.

Quando eu tinha dezessete disse: Vou-me embora, e queria ouvir, fica filha eu vou cuidar de você, mas recebi de volta um "boa sorte", e uma pergunta: como eu iria fazer?

Não sei, mas fiz.

E hoje vendo fotos de casamentos, filhos alheios, sorrisos e uma certeza que essa não é minha vida, nunca houve um "fica filha" nunca houve outros dedos além dos meus, nunca houve anéis solitários a não ser os que comprei para mim, nunca me perguntaram o que eu realmente queria, mas eu respondi mesmo assim, mas mesmo assim, não quer dizer que as pessoas se importam, elas não se importam.

Eu quis muita coisa e corri um bocado para tê-las, mas ao contrário que os livros dizem, não se pode ter somente pelo desejo, então não se iluda, não dá pra andar com um sapato em um pé só.

E nove anos se passaram, e a gente acha que supera as coisas mas não supera, na verdade a gente somente guarda, e houve outras casas e eu aprendi a ser divertida, sempre fui aquele tipo de gente que outras pessoas gostam de ter em volta. Meu ex namorado-marido disse a anos atrás apenas uma coisa inteligente em toda a vida "as pessoas não sabem o que querem na verdade" minha amiga disse, talvez ela seja daquelas que quanto mais gostam, mais maltratam, as pessoas na verdade, não são nada coerentes.

E eu olhei com aquela cara espantada, será que minha chefe é assim?

Sempre pensei, será que minha mãe nunca me visitou porque sou eu quem sempre visito? Será que se algum dia eu abrir a boca pra falar o quanto doeu algumas coisas, alguém irá ouvir? Eu tenho segredos que nunca contei pra ninguém, acho que nunca confiei o suficiente, e eu quis um colo, e aprendi a me abraçar antes de dormir e a dizer pra mim que eu estava sempre fazendo o melhor que podia naquele momento e que era uma pessoa legal apesar de tudo e que apesar desse mesmo tudo eu ainda continuava tentando quando seria fácil ser só a pessoa mais divertida da festa.

E hoje eu olhei para trás e falei "nove anos se passaram" e não me tornei outra pessoa como pensei, os medos são os mesmos.

O tempo na verdade não passa, todos os dias são segunda-feira.

5 comentários:

Andarilho disse...

Geralmente, os medos duram a vida inteira. O que muda é como a gente vê cada um deles. Ou não.

Thaís disse...

Não gosto de comentar em blogs,nem em coisas afins,gosto de apenas observar,só comento qndo realmente algo me toca,e foi oq aconteceu com esse texto, gostei,simples,profundo,bonito,triste.
Você é engraçada sem ser superficial, não usa as palavras apenas para fazer os outros rirem ou para sei lá,ironizar a vida,
as usa tb para tocar,
sensibilizar,
vc é um doce :)

Madame disse...

O tempo passa mas nossos medos e traumas, e nao cuidado, sempre vao nos atormentar.

Me sinto assim algumas vezes,mas como tudo na vida, passa, e logo volta denovo.

uma otima semana gata

Mme. Enigma disse...

Amiga, depois que li isso me identifiquei mais ainda contigo.
Acho que sempre esperei coisas que as pessoas não podiam me dar, e em troca de um ombro ou um "fica filha" eu sempre tive um "boa sorte".
Hoje sendo mãe, pretendo sempre dizer "fica filha", para que a minha não enfrente tudo que enfrentei nessa vida, as coisas desnecessárias, mas se ela decidir realmente ir, mesmo que eu peça para ela ficar, não impedirei.

A verdade é que hoje não seríamos quem somos se elas tivessem nos pedido para ficar, e por não querermos partir o corações delas, talvez deixássemos de tomar algumas atitudes, que hoje olhando para trás, vemos que foi essêncial, porque aprendemos com cada experiência que passamos nessa vida. Outra verdade é que, nascemos sozinhos e morreremos sozinhos, e quem quiser, que caminhe ao nosso lado, ou nos acompanhem ou nos deixe ir, sem nos impelir ou impedir. Assim como queremos sempre acompanhar aqueles que amamos, mesmo que de longe.

As vezes nos sentimos solitários, por não termos a nossa família de berço perto da gente, mas a verdade é que somente para os solitários os amigos e a família que escolhemos ter são tudo!
E podemos sempre criar a nossa própria família, um companheiro que caminhe ao nosso lado, filhos, amigos, e no nosso caso, mãe e irmãs "adotivas".

Te amo!

mayra disse...

Cristal,eu sempre visito o seu blog pois adoro o jeito divertido como vc escreve.Sou daquelas que acompanham sem comentar ;),mas desta vez me identifiquei com sua história e compartilho do seu sofrimento.
E vim te dizer que sim, o tempo passa, as vezes não muito depressa mas passa e vc supera.
Eu sou só um pouco mais velha que vc (30) e ja superei algumas coisas,tenho outras guardadas é verdade, mas sei que se deixar bem lá no fundo sem futucar, nao vai feder, hehehe...
Não se deixe abater, seja lá o que esteja passando,seja sempre mais vc, o CARA já dizia: Ama teu próximo como a ti mesmo. Sacou?
Vc é uma garota linda,inteligente e guerreira.Cerque-se de pessoas do bem que te coloquem pra cima,evite energia negativa, antes ficar só do que pegar mal olhado!!!credoooo!
Espero ter feito pelo menos um esboço de sorriso....
bjoooo!
Mel