domingo, maio 8

Estranho.

Já me senti invisível duas vezes hoje. O impressionante disso é que eu mesmo não me vejo, e fica uma sensação de agradável abandono, como se de repente, não precisasse de nada, a invisibilidade tem essa vantagem, como ninguém te vê, você não precisa pedir nada, nem esperar nada.

Quando fiquei adulta, percebi claramente que nem minha mãe me conhecia, mas era porque mudava de tanto em tanto tempo, depois acho que parou de prestar atenção, devia dar muito trabalho, então ela ficou com uma imagem minha meio adolescente, emburrada e carrancuda.

Depois fui eu quem parou de prestar atenção, focando aqui ou ali, mas nunca em mim, sempre pensava, a felicidade está logo ali, é só dar mais um passo, uns anos depois descobri que felicidade é o momento agora, e como disse algum grande filósofo, não estamos aqui, estamos vislumbrando o futuro ou remoendo o passado, e eu tinha vontade de saber como é o aqui, o aqui, agora.

E eu descobri, o agora é um vazio enorme e profundo, pois o passado não me alimenta o futuro sequer existe. Foi assim que fiquei invisível.

Na verdade invisível é aquilo que não vemos, e estou esperando a próxima experiência sinérgica, a da não existência.

2 comentários:

cristal muniz disse...

lindo lindo, chará! :)

a verdade é que muitas vezes preferia ser invisível...

e boa sorte com a dieta! ;*

i ILÓGICO disse...

você escreve tão bem...