domingo, abril 29

Não achei título.

Fui tirar um cochilo de tarde e o tic tac do despertador me fez ter um momento filosófico que todos vocês já devem ter tido, enquanto ouvia aquele som irritante fiquei pensando nessa entidade que chamamos de tempo, e caí na real que o tempo passa. Claro que já sabia que o tempo passava, dãn, mas naquele momento percebi que enquanto ficava ali com a barriga pra cima contando os segundos, minha vida também passava um pouco, primeiro me deu uma tristeza enorme de quase chorar perceber o tempo que perco mimizando as coisas na cabeça, achando que as situações deveriam ser assim ou assado, e percebi que posso morrer a qualquer momento, oh wait! Todos nós podemos. E eu lamentei saber que poderia morrer sem ter feito um monte, e me senti infeliz de ter que fazer essa descoberta assim. Juro que apesar de todas as últimas conquistas estava em um estado de esperar a morte lentamente chegar enquanto ficava ali deitada, deixar o apartamento se consumir de bagunça, pedir uma pizza pelo telefone, e ficar fumando enquanto ouvia música ou lia qualquer coisa disponível. Sabem, eu me sinto sozinha, as coisas práticas acabam tomando um tempo enorme, lavar roupa a mão, fazer comida, descobrir com que dinheiro vou comprar uma máquina de lavar ou uma cama, e se vou conseguir pagar o aluguel e comer ao mesmo tempo. E aí eu fiquei doente de novo. E tudo isso acima mais a sensibilidade de estar com febre, sem plano de saúde, não ter um monte de coisas como por exemplo dinheiro se tornaram insustentáveis na minha cabeça, daí para abraçar o cão da depressão foi só um passo... que dei pra trás, sai pra lá cão do capeta, vai arrumar outra alma para atormentar. Comecei a arrumar o apartamento numa rapidez de lesma reumática, querendo ir os ara a praia (era a minha fuga predileta no Rio) liguei o som com a animação de uma velha de 102 anos, fiz comida para a semana, piquei o frango, fiz sopa, arroz, limpei geladeira, daí que né comecei a pensar “porra caralho mermão, você saiu do Rio, arrumou emprego, tem casa, tem comida, tem até geladeira nova e Tv de LSD (porque não pega os canais, portanto alucino que tem algo passando nela) mas serve muito bem para ouvir música, então porra, porque tô reclamando tanto? Que bosta, tá sempre nesse nhenhenhém minha auto estima blawhyskas tenho medo de tudo, aí amigos aconteceu uma parada muito louca, liguei minha tomada no 380 volts e comecei a fazer as coisas, arrumei a porra quase toda, lavei toalha, lençol, colcha, calça jeans e o caralho tudo no braço, pensando que meu muque daqui um tempo estará uma maravilha, liguei o som bem alto e mandei tudo quanto era pensamento bosta pro alto, que sabem, minha vida está sempre com um parafuso frouxo, sempre faltando uma peça para encaixar, mas caguei para essa situação, afinal não sou uma franguinha qualquer, sou uma super frangona! E agora xô voltar pra minha arrumação, que tenho uma tática de deixar tudo mais complicado bagunçando um cômodo enquanto arrumo outro. Depois divago mais sobre isso.

2 comentários:

Marcus Assis disse...

não era minha intenção pensar nisso agora. Beijos

Madame disse...

Mas nao é so vc nao, todo mundo sempre passa a vida com uma porca solta.