quinta-feira, junho 21

Gente como a gente.

Existe uma parte de mim que se cansa. Da fofoca no trabalho, de saudades, de faltas constantes. Ou o que vocês acham de: De MP para o Rio, deixei minha mãe, vó, cachorro... no Rio vivia metade porque Marcos estava em Minas, e agora em Minas existem pedaços no Rio e em Mp.
E uma pequena dor constante de saber que nunca todos os pedaços se colarão. Escolhas.
 
A gente se acostuma a ter saudades. Acostuma uma ova. Essa coisa que a gente acostuma é maior balela. Sinto tanta saudade da minha mãe como quando fui para o Rio, isso faz quase sete anos, juntando aos quase onze que saí de casa. Tenho saudade da comida, de ser filha, mesmo sabendo dos nossos inúmeros problemas na época. Os anos passam e a gente vai jogando uma poeira fina por cima e assim vivendo. Dizendo que o tempo abranda as coisas. Não abranda, as vezes a poeira é espessa e faz esquecer. As vezes vem um bom vento e a sopra, mostrando novamente como é difícil alguns dias.
 
E eu também me preocupo, com minha mãe, mãe Albita, minhas amigas irmãs, minha avó, avô, cachorro, papagaio, mas falo pouco disso tudo. Tenho medo que morram, de olhar para trás, mantenho os olhos na frente e uma fé cega no coração.
Sou de natureza comunicativa, mas muito fechada nas coisas que me machucam, dificilmente falo, e quando falo, nunca os coloco para fora, tudo mora em mim, todos os sentimentos, raiva, rancor, alegrias e felicidades.
Muitas vezes eu mesmo me machuco, me firo, me cobro, tento ter super poderes....
 
O ensinamento de que estamos sempre fazendo o melhor que podemos dentro do nosso nível de consciência é só um meio consolo.
 
Só que abandona algo, seja do tamanho que for, sabe o real tamanho. Não gosto de falar sobre esse assunto com Marcos pois ele acaba se sentindo culpado, mas eu não faria nada diferente. Não fiz uma troca, fiz uma escolha. Quando fazemos uma troca esperamos que essa outra coisa tape o buraco do espaço anterior, mas isso é impossível quando se faz uma escolha, pois não existe nada para tapar o buraco anterior. Como já escrevi antes, não importa o tamanho do buraco, importa que ele existe e está ali com você, para onde for, então, andamos todos por aí, como grandes queijos suíços esperando que algo nos tape definitivamente, ou nos dê segurança, ou nos diga que nossas escolhas estão certas, que você é bacana e legal e tudo dará certo pra você. Não saí de uma vida para entrar em outra, apenas dei andamento a minha própria vida, que já era uma buraqueira mesmo antes de achar Marcos. A gente acha que um amor é o suficiente para todos os amores que faltaram, para todos os dias de desespero ou desesperença, mas o amor é só do dia que ele aparece em diante. Nada nos cura de nós mesmos. A não ser... nós próprios.
 
Tenho uma pseudo felicidade que reside na confiança que tenho na própria vida. Esmoreço. Choro no banho. Tenho muitas crises pessoais. Questiono o sentido das coisas. Tento ser tudo para todos que precisam de mim, sou filha das minhas mães, amiga dos meus amigos, namorada do meu Marcos, profissional para a empresa. Sou todas. Mas existe uma, essa uma, que muito de vez em quanto vejo o vislumbre dela, se esconde dentro do corre corre do dia a dia, porque não quer sofrer. Na verdade porque cansou em alguma época do remoto passado distante.
 
Eu sou todas eu e rio o tempo inteiro, não por graça, mas porque apenas quem se da ao luxo de se conhecer pode rir das mudanças da própria vida. Pode rir das mazelas alheias, próprias, do buracos, da vida e da morte. De todas as necessidades e de nenhuma. De ser todas ou só mais uma. Eu sou só eu. Uma pessoa tão comum quanto você, como todas que cruzamos nas ruas, nos shopings e na vida.
 
Eu sou feliz e totalmente contraditória. Eu amo minhas escolhas, mas pago o preço delas. De ser como você, uma pessoa absolutamente remendada, mas que nunca deixa de tentar. Mesmo quando desiste, pois eu também desisto, afinal não sou uma palestra motivacional ambulante, mas estamos aí, ainda vivos, nos arrastando algumas horas, mas ainda vivos.
 
Sou só uma pequena parte do todo, do todo eu, de tantas que ainda serei e conhecerei, de tudo que ainda farei.
 
Eu, sou só eu.
 
 
 
 
 
 
 

 

10 comentários:

Andarilho disse...

Eu me acostumei a ter saudades.

Saudades é que nem vontade de comer chocolate. Ás vezes tá alta, às vezes, abaixa. Mas tá lá.

E a gente se acostuma, porque acostumar não é esquecer, é viver com isso sem parar.

Altos momentos auto-ajuda neste post, hein?

Tiburciana disse...

A vida é isso costume!!!

Luciana Matos disse...

No fim das contas só a gente mesmo é que sabe onde é que o calo aperta.
Já tive muitas crises existenciais por estar cansada das coisas, mas chegou uma hora em que eu cansei até das crises. Hoje eu gosto de viver no esquema do "é o que tem pra hoje". Nada ficar querendo o inalcançável ou de ficar duelando em lutas desnecessárias. A gente vai vivendo, aprendendo, errando e tentando de novo quando acha que vale a pena, se não vale manda à merda e parte pra outra.

*Velocidade 5 na dança da auto ajuda hoje aqui hein!

bjo doida!

cristal muniz disse...

"A gente acha que um amor é o suficiente para todos os amores que faltaram, para todos os dias de desespero ou desesperença, mas o amor é só do dia que ele aparece em diante. Nada nos cura de nós mesmos. A não ser... nós próprios." Lindo isso, é exatamente isso! :)

Eu morei a vida toda longe do meu pai, quando me mudei pra cidade dele, ficava longe da mãe, da vó e da irmã. A irmã pequena vejo pouco porque os horários são difíceis. Os amigos se distribuem pelo mundo: melhor amigo na Holanda por um ano e eu sofrendo, sofrendo. Agora a mãe e a irmã foram morar nos EUA! A gente nunca se cura das saudades, a gente só transfere as dores pras saudades mais fáceis de serem curadas. Mas, mais hora menos hora, a gente explode em lágrimas, gritos, choro ou tristeza. :~

Aline disse...

Ai achei lindo. Vou guardar umas partes do seu post no meu coraçãozinho (mamãe nem diz que é de pedra, fala que não existe, mas ó, ele tá aqui.Super me identifiquei com a parte do "muito fechada nas coisas que me machucam").

Afrodite disse...

É Cristal...
vc tem o dom de falar sobre coisas que pensamos mas nem pra nós mesmos contamos.
Palmas pra essa tua coragem de escancarar o que nos vai na alma e por vezes nem pro travisseiro confessamos.

Beijo!

Beatriz disse...

Não tenho muito a dizer, a não ser que apesar da distância, da saudade que é reciproca de ti minha Amada Irmã...Estou e estarei sempre por aqui!!!! Eu e sua Afilhada(o)...
Te Amo Muito a 15 anos, Te Amo Muito Agora e Te Amo Muito pra vida Toda!!!!

Beijos com carinho e Amor!!!

Ana Franke disse...

Pior é gente que não tem saudades.

Luz_Dourada disse...

Minha Flor AMADA.
<3.

Luz_Dourada disse...

Belíssimo Cristal, que a cada momento que passa está sendo mais e mais lapidado. Uma lapidação feita com a maior parte pelo seu coração, que é lindo!
Escolhas, escolhas,escolhas... a vida é cheia delas.
Plantar é um trabalho de consciência plena, pois é certa a colheita. Eu tenho certeza que a sua colheita será (já tem sido e está sendo) cheia de coisas boas e cheias de positividade.
I LOVE YOU SO MUCH!