domingo, agosto 26

Como as coisas aconteceram....

Não sei divisar exatamente o dia que comecei a me sentir triste demais. As coisas foram acontecendo aos pouquinhos... mas rápido demais, todo mundo tem um tanto de stress que pode aguentar e meu nível estava mais baixo que de costume. Sei que um dia Marcos e eu brigamos e tipos meu mundo caiu de vez. Mudança de cidade, estado, emprego, sem ver a família, e eu simplesmente sucumbi, mas não percebi. Continuei indo trabalhar, mas alguma coisa aconteceu por dentro que não estava tão fácil de arrumar. Perdi a fome, a vontade de fazer as coisas, e comecei a inventar desculpas para tudo, para minha mãe estava sempre tudo bem, eu repetia o mantra de "está tudo bem" mas as coisas não estavam ficando bem na cabeça. Adoeci. Uma, duas, três... até essa que é a quarta e espero ser a última desses tempos.



Parei de escrever... e de pensar muito. E parei de falar também, duvido que alguém realmente saiba como andei me sentindo. Não era nenhum complexo de super mulher, mas estava com medo, medo de que se soubessem que não estava dando conta alguém sei lá, risse de mim.



Eu precisava de ajuda, mas não sabia como pedir, comecei a brigar mais com o Marcos, achei que sei lá ele perceberia, tipo advinharia, a falta da terapia, meu subconsciente deve ter gritado que se eu ficasse doente cuidariam de mim, como se eu fosse uma criança de cinco anos que toda vez contrariada fica com febre para chamar atenção dos pais. Só que tenho 27 anos, um porrão de responsabilidades, mas meu emocional estava cagando pra isso.



Revivi vezes sem conta emocionalmente todos os problemas que tive e que estavam escondidinhos em um canto, tudo subiu ao mesmo tempo e eu tinha que dar um jeito, o jeito que encontrei foi tomar remédio para dormir e gastar o que não podia. Fiquei apática. Feia. Sem vontade de fazer nada. Demorou vários dias para a ficha cair, eu não estava bem. De verdade.



Mas estava escondendo bem a beça, pelo menos eu imaginava. Foi um momento "plim" que percebi que não adiantava ficar doente ou me ferrar em dívidas que solucionaria minha eterna carência. Eu acabaria adoecendo mesmo.

Pedi seriamente ajuda de Deus e quem mais estivesse disponível pois não queria estar daquele jeito. Chorei vezes sem conta, pedindo um pouquinho de força, só um pouquinho para eu dar um pequeno passo, sabia que o problema real não era o trabalho, meu apartamento ou o Marcos, era que minha cabeça tinha dado pane e não estava conseguindo encarar tudo isso.



Todos e tudo estava do meu lado, menos eu. Eu, que pago minhas contas, faço malabarismo para as coisas darem certo esqueci o mais importante, eu mesmo. Coloquei os problemas do Marcos, da minha mãe, do papa na frente. Quis poupá-los dos meus problemas. Mas não fiz isso porque sou legal, mas porque minha carência pedia algum tipo de recompensa "olhem como sou abnegada" "olhem como supero as coisas" mas era tudo uma mentirada danada. Para qualquer pessoa já seria um monte de mudanças juntas e porque eu não poderia sentir saudade ou ter problemas? Porque eu tinha que superar tudo, um emprego que não estava me satisfazendo (porque eu já queria vender caramba!) uma cidade que não conheço e mais um monte de coisas.

Aí só restou a alternativa de encarar de frente, que minha vida sempre foi assim mesmo, não tive pai, mas muita gente também não, saí de casa a 10 anos, também não é um fato que não acontece com ninguém, minha mãe tem problemas sérios com álcool,  mas aposto que não é só a minha, não posso contar com muitas pessoas, mas fazer o que? Nada disso é uma novidade e eu só precisava me lembrar disso, em vez de ficar revivendo e fui me animando, refiz os planos (alguns virão pra cá para vocês saberem, mas depois.) e fui vendo que tenho uma casa legal a beça, meu namorado me ajuda, tenho um monte de coisas para agradecer, sou uma puta vendedora (diria que com um pouco de esforço a melhor), escrevo bem e sou muito inteligente, além de bonita. Não preciso atropelar as coisas, nem dar atenção demais as merdas que aconteceram. 


Estou me sentindo bem melhor, bem de verdade, quis compartilhar essa parte também porque pode acontecer com alguém, e passa. Coisas ruins passam também. É difícil. Tem dias que dói como uma queimadura recém feita. Mas passa.

 

Não quero voltar a escrever sobre isso. Quero pular essa página como apenas uma fase ruim que passei e que passou por mim.


5 comentários:

Lara Mello disse...

Eu já me senti assim, muitas vezes, e como você disse: Passa..

rafaela disse...

;)

Fiquei feliz!

Acabei de ler TODO o seu blog (comecei já há alguns dias).
Tenho uma amiga (acho que agora posso chamar de amiga,sim) que mora em outro estado, não conheço pessoalmente, mas começamos a conversar depois que ela pensou que eu era uma stalker,rs
O que acontece é que às vezes me identifico demais com algumas pessoas e aí vou lendo e comentando, e às vezes faço vários comentários num dia...

bj

Gabi disse...

engraçado, estou ou melhor estava me sentindo uma merda...Merda daquelas em que a gente se sente vitíma da vida, sofre dee vitimismo...é sempre o mesmo drama " Meu pai morreu e não me deixou anda, além de dor de cabeça e uma madrasta má, sem antes logico ter feito nada pra minha vida...Perdi o emprego de 6 anos esse ano e arrumei outro que não gosto...Sai da casa da minha mãe com 14, da casa do meu pai com 20 e agora da casa da minha querida avó com quase 29... (digo quase, porque falta alguns dias para essa conclusão)ngm me ama, ngm me quer..." Enfim, me sentia um lixo emocional, tomando remédio pra dormir, descontando toda a minha birra no meu namorado porque eu acho que ele tinha que casar comigo (eba, todos os problemas resolvidos) e daí vim aqui pra saber se você tinha voltado com seus dotes de escrever e descobri que não sou a única no mundo que as vezes precisa tirar o peso das costas....Obrigada! www.sincerasmentiras.zip.net

Guiga disse...

Sacode a poeira, lindeza!! :)

desculpe o auê disse...

É como tu disse: vem devagarinho e quando tu vê...

Mas pelo que to vendo, tu tem o poder de renascer :)