a ter um coração, queria que fosse nessa vida ainda, pois teria como aproveitar as benesses de ter um, queria me apaixonar e quando me apaixonei fiz o suficiente para me convencer que era uma louca desequilibrada, coisa que aliás consegui com um sucesso impressionante, tanto de público como de crítica.
Foi uma das coisas mais agressivas que já fiz comigo, ninguém precisava me autorizar a ser louca ou não, até onde me recordo não devo satisfações exceto aos bancos de como deveria me comportar, não fiz um único contrato de normalidade ou coerência com qualquer ser humano vivo ou morto, sequer dei a entender.
Quis tanto ser sensata que me machuquei sem precisar da ajuda de ninguém, esquartejei minuciosamente o que ainda tinha da minha auto estima que já era pouca nenhuma, e agora reconstruo em cima disso.
Meu coração que já não era bonitinho mas era o único que eu tinha, virou um asfalto, sufocou e depois me abandonou, saiu andando e sem retorno, não era o que queria? Me convenci, eu me obriguei TODOS OS DIAS SEM CESSAR, SEM DESCANSO, QUE ERA UMA RETARDADA EMOCIONAL, entre outras coisas que disse pra mim que nem a coragem do anonimato me permitem expressar, e... não tinha nada tão errado comigo assim, tinha, mas não precisava, precisava.
Acho que não mereci o que fiz comigo, podia ter me tratado com mais respeito.

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