quarta-feira, março 26

A Morte e sua foice...

Alguém que eu gosto muito morreu segunda-feira,minha madrinha, a pessoa mais próxima a mim que morreu depois que eu "fiquei grande"... não vou me delongar nas tristezas e filosofias... todos nós morreremos apesar de não estarmos preparados para tal acontecimento.

Minha madrinha era uma da pessoas mais bizonhas que eu conheci, tinha mó orgulho dela, a ela devo muitas histórias bizarras, vou resumir algumas:

Me ensinou a gostar de uma briga quando adolescente: Ela simplesmente metia o cacete em quem tirava onda com a cara dela, sempre falava: Unhada é o caralho eu chego logo dando soco. Me ensinou que trançar os cabelos era o melhor penteado para a briga, toda vez que eu chegava com trança no colégio era merda na certa.

Me ensinou que não existe culpa com os homens, dizia que se deu e gostou tá ótimo, já tava no lucro, não importava se ele era cafageste.

Uma vez ela caiu na escada e se fudeu toda... mas vivia dizendo que foi mó alucinante a sensação da queda, que tudo rodou e ela ficou muito doida... detalhe: ela estava grávida de cinco meses.

Ela nunca teve vergonha de mim, mesmo quando eu era uma adolescente de cabeça raspada e minhas calças caiam pela bunda...

Com ela aprendi a arrumar o quarto em dois minutos, pegava tudo enfiava debaixo da cama e colocava uma colcha comprida.

Quando estávamos com fome invetávamos alguma coisa na cozinha, mesmo que fosse água com açúcar.... e ficava bom!

Pra ela dei meu primeiro pedaço de bolo quando fiz 12 anos, minha mãe morreu de ciúmes no dia, depois passou.

Ela foi a primeira a saber que eu fumava... quando eu perdi a virgindade... quando traí meu namorado...

Sempre trocávamos roupas... mesmo que ficássemos ridículas.


É dessa pessoa que vou sempre me lembrar, era uma pessoa que valia a pena lembrar... pra mim não existe adeus, no máximo um Até Logo.



Dói pra caralho, quando vi ela naquela caixa pirei. Comecei a falar que ela não gostava da blusa que estava usando e que tinham tirado todos os anéis dela, não queria que ninguém a tocasse. Eu vou aprender a viver com a dor, com a ausência, com o vazio. É Dona Iara quem ficou se fudeu, né?

A ela dedico hoje um pedaço da música O VENTO - Los Hermanos:



Posso ouvir o vento passar,
assistir à onda bater,
mas o estrago que faz
a vida é curta pra ver...
Eu pensei..
Que quando eu morrer
vou acordar para o tempo
e para o tempo parar:
Um século, um mês,
três vidas e mais
um passo pra trás?
Por que será?
... Vou pensar.



5 comentários:

Andarilho disse...

É clichê, mas não deixa de ter uma ponta de verdade: enquanto as pessoas viverem dentro da gente, elas nunca realmente morrem.

Enquanto você viver, uma parte dela vai estar em você.

Márci disse...

De fato nunca estamos preparados para a morte de alguém próximo...

O importante é que as lembranças fiquem guardadas no seu coração !

E que doidinha mesmo parecia ser ela hein...rsrs

Fê Probst disse...

As pessoas que amamos nunca morrem, apenas partem antes de nós.

E ela tá te esperando lá em cima filha!

Cansei de ser abduzida disse...

Nossa.. me arrepiei... juro.. muito!!

eu tava ouvindo essa musica.. quando li seu post!

putaqueopariu!! que coisa loka!

Nossa!!
beijos.. e muita paz pra vc!!

.Ná. disse...

Acho que a pior parte é pra quem fica. Pra quem vai, sempre tem a promessa de algo maior, pelo menos eu acredito que sim. Pra gente, que fica nesse mundo fidumaputa, só sobra a dor e bosta da ausência que fica assim latente. Mas Deus conforta a gente... ô se conforta.
Bjo