terça-feira, janeiro 31

A história de amor a um calçado.


Que sou uma consumista "nata" é inegável, é muito difícil conseguir me convencer a não comprar uma coisa que quero, ainda mais porque a maioria das pessoas (exceto pelo Marcos) não conseguem ter o mínimo de argumento e não dou ouvidos mesmo.
Euzinha, vindo de um aperto fenomenal de cinto, com todas as promessas lamuriantes de acabar com essa minha gastança, de ter ficado sem dinheiro qualquer na poupança, enfim... eis que nesse cenário desolador... eu a vi: a bota.
 
Explico, como sou uma pessoa digamos, gordinha, nenhuma bota nunca coube na minha panturrilha, já havia desistido a séculos, inclusive aquela com elástico, tudo ficava muito apertado ou sequer fechava o zíper, tem tipo... seis anos que não uso uma bota de cano médio ou alto. Aí lá estava ela, jogada tristemente naquele outlet, juro que quando olhei ela me sorriu, mas fiz que não devido as inúmeras tentativas constrangedoras do passado, entrei para ver sapatitos e sapatilhas (minha atual obsessão) e ela continuava lá, olhando, olhando, olhando, quando coloquei a mão nela, ela disse "mamã" - claro que não dei bola porque sabia que na carência da própria bota, ela estaria se jogando para qualquer uma. Eis que escuto minha própria voz "tem número 39?" e normalmente só vem um par desse número, quem calça sabe, era mais fácil um alien sair de dentro da caixa do que uma bota do meu número, e lá estava ela, incansável, o última par - meu número. Entendi que aquele era um sinal divino, mas ela era uma bota de cowgirl, iria ficar estranho, desconfortável, sabe lá. Tentei enfiar o pé nela e nada, não passava, tirei e falei "não cabe" - aprendam agora jovens mancebas, a vendedora falou "cabe sim é que ela ficou muito tempo dobrada, coloca essa meia, eis que o milagre se fez, a bota, entrou, coube com folga no pé e panturrilha, parecia ter abraçado meus pés e não queria largar, nem eu queria largá-la!!!!!!!!!!!!
Detalhe: Eu não tinha um centavo.
Eu não tinha dez reais em moedas de cinquenta centavos, quanto mais o preço daquela bota e também tinha 4 reais na minha conta no banco, nem um Carlton poderia comprar naquele momento.
 
Me deu um pânico, após anos de espera, ela ali, nos meus pés e não a deixaria orfã nunca mais. Pensei "meu cartão de crédito não está aqui, pois fica em casa." Niqui nessa hora tive um mero lampejo de esperança.... como não havia refeito a bolsa desde a viagem, corria o risco de meu cartão de crédito ainda estar na carteira e ele ESTAVA PORRA ELE ESTAVA! Juro que quase cambalhotei dentro da loja desesperada de alegria, como eu ia pagar a bota? Ah essa pergunta sequer passou pela minha mente...
A bota era o príncipio universal de que o mundo queria que fosse feliz, que estava ali a me esperar, que seríamos felizes juntas....
 
Comprei e como quem faz a merda peida em cima, pedi para dividir em 2x e saí de lá saltitante com minhas botinas em uma sacola reluzente e barulhenta, parecia uma menina jovem e sem problemas (e sem contas, dívidas, faculdade, plano de saúde...) com um lindo futuro pela frente onde a fatura do cartão de crédito jamais....
 

3 comentários:

Nanda disse...

o texto tá muito grande.
to com preguiça de ler.

'Lara Mello disse...

Faço essas loucuras também e Zé sempre me sinaliza: "O cartão se paga e o seu dinheiro não é fêmea para se multiplicar" =(

Dani (ela) disse...

ãimmm, essa sagas são exatamente azim! só as mulheres entendem :)