quarta-feira, outubro 24

Uma outra parte de mim.

Sinto uma angústia que dói de verdade, bem na boca do estômago, e sei que é um medo que sobe, o medo do amanhã. O medo que amanhã realmente chegue. Antes eu sentia muita paz aqui no meu apartamento, nos últimos dias nem isso porque não tenho paz suficiente na minha cabeça.

Meu peito aperta e dói, uma dor que nunca consigo explicar pra mim, se é problemas com o namoro, dinheiro, o apartamento, saudade da família e outras coisas, tem horas que sinto muita raiva, mas tentando sublimar engulo, mas nunca é o suficiente.

E não sinto vontade de fazer parte de nada ao mesmo tempo que quero, quero mesmo ser sociável, ter a "turma do trabalho" e fazer novos amigos, mas sei que tem um muro enorme de pedras pesadíssimas que não sou capaz de mover, fui erguendo aos poucos e sem perceber...  hoje o mesmo muro que me protege me aprisiona.

Escrever me liberta, mas nunca falo ou me deixo chegar no cerne da questão, que é simples, minha cabeça encheu demais e não tem onde descarregar, sendo assim descarrego sempre nas mesmas coisas, fumo demais, falo de menos e voejo minha própria existência.

Me ocupo com qualquer coisa que me movimenta, só pra dar a hora de dormir. Não é todos os dias assim, mas tem dias que é ponto, uma falta de objetivos que me consome, minha mente pifou e não consegue sair do ciclo esquisito do inesperado.

Não domino a bem a arte de me expressar a não ser por meio de alguns textos, caso você me conheça diria que estou tão bem como sempre estive, excluindo o ar meio apático que me pega de vez em quando, um olhar perdido no horizonte que nada tem de contemplativo omolhar vazio dos que tem preguiça de pensar.

Existe os dias que falo pelos cotovelos, todo o tipo de coisa sem nexo, principalmente sozinha e tem horas que necessito do silêncio com tanta força que o som da tv já é o suficiente para acabar comigo, sou uma bomba prestes a explodir a maior parte do tempo.

E sempre penso as mesmas coisas, tudo o que sempre quis é tão simples que beira o ridículo, por isso adotei a máxima de ter sonhos tão megalomaníacos que nunca poderão ser realizado no tempo-espaço que determino, por isso desisti de tentar um monte de coisa, claro que é temporário, mas é o que sinto agora, por isso descarrego toda a fúria em cima do teclado como se fossem minhas últimas palavras sãs, não é um pedido de socorro esse texto, poderia ser, mas não é, sei exatamente o ponto morto dentro de mim, só que ele é abrangente demais para simplesmente dizer: eu super isso, como quem peida.

É óbvio que supero, mas preciso de um tempo antes, para me libertar de toda a angústia da minha mente que teima em minar minha auto confiança e me faz acreditar no que não existe. São anos de aprisionamento auto imposto, muitas horas sublimando a pessoa que sou realmente, é muito difícil ser simples demais.

Meu maior desejo é que eu não precise cortar tantas partes de mim para conseguir o que almejo, para no dia que realmente conseguir ter pouquíssimo de mim para aproveitar.

Meu lado sombrio sempre esteve comigo, mas nunca veio a tona porque estava emcoberto demais pelo corre corre do dia a dia, e de repente tive tempo demais para ficar comigo, para me descobrir, e eu descobri, no sentido literal de descobrir, tirar a coberta de cima e o que vi me deu muito medo.
Vi de frente todas as frustrações, toda o sentimento de derrota, as noites sem dormir pensando em uma solução, é claro que estou muito melhor hoje que ontem, mas o ontem deixou suas marcas.

Num último ato corajoso deixei que tudo subisse, toda a dor o terror do abandono e ter que ser meu próprio ponto de apoio, munida de uma pá fui cavando cada vez mais fundo, deixando que as coisas doessem de verdade para que eu pudesse sentí-las uma vez que só falava sobre elas e nunca realmente as sentia.

Nunca acreditei na dor sem fundamento, em carma sem sentido ou que viver era triste... coisas do gênero, e continuo não achando, foi só o modo que encontrei momentaneamente de me libertar de mim, o meu grande eu que me mantém refém que me prende até eu ter dores físicas. Incontáveis vezes me culpei por culpas que nunca tive e sempre quis o grande ato de perdoar os fatos dentro de mim, a atitude mais improvável que teria pois sou (mas estou tentando não ser) um grande poço transbordante de rancor.

Mas como sou feliz ainda assim, apesar de ser um oxímoro dizer isso ao final de um texto tão longo e triste, ainda assim, mesmo nesses dias tenebrosos, como um último suspiro ao dia ainda me alegro só de ver a chuva cair, de saber que esse buraco é raso e em um pulo saio daqui (eu disse algo ao contrário disso lá em cima, mas não é lógico levando em conta os milagres que faço diariamente), me alegro de ter dinheiro para a comida, aluguel, luz e ainda consegui colocar internet em casa! Meu coração ainda pula com meus pensamentos mais sublimes, respiro fundo e deixo que a vida volte a morar dentro da minha casca, feliz de poder fazê-lo, feliz de ter a consciência que tudo é passageiro demais e como perco tempo alimentando meus próprios monstros. 

Sei de pessoas que dariam um dedo da mão para ter metade do que tenho e pode não parecer, mas valorizo demais toda a minha vida para me deixar abatida por meia dúzia (de milhares) de problemas, ainda assim sorrio, de mostrar todos os dentes, mesmo que minha risada esteja meio xoxa, como um pombo arrulhando ao invés da grande risada de se ouvir a 50 metros.  E sou grata pra caralho, pelo cérebro que me adoeçe mas me cura, pelo divino que tem uma predileção especial por mim e pela bosta de caminho de "iluminação" que não quis, mas meu subcosciente quis com tanta força que cá estou eu, andando, trabalhando e tendo esperanças mil. De onde eu mesmo me vejo, sou eu, sou feliz e sou quase... faltando pouco, para enfim, ser inteira, juntar todos os meus pedaços e dizer que venci a batalha mais importante da minha vida, a que me dediquei com mais afinco, a de me conhecer.

Que levantem as cortinhas que já estou voltando para meu grande palco.





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