terça-feira, agosto 27

Aleijamento - ligue a ironia.

Sei o que as pessoas dizem de mim.
Que sou maluca, irresponsável e pãns, mas tá difícil conhecer alguém tão sensato quanto eu.

É impressionante como já disse (ando repetitiva e velha, resultado do cansaço diário de andar em círculos e todo mundo sabe que pessoas que passam tempo demais falando sozinha tendem a virarem excêntrica, que para esquizofrênica basta inserir umas letras e mudar a forma) a facilidade que as pessoas tem de julgamento, minha canseira alheia chegou ao ponto de não falar mais nada da minha vida pra ninguém, baseado em fatos que não possuem, continuam julgando de alguma forma, e eu ouço com as orelhas, sem prestar atenção em nada, virou normal não ouvir mais, antes era surda por opção, hoje sou surda por falta de...

Isso de me atacarem já afetou muito, porque queria ser amada, aceita, queria ser uma pessoa legal, hoje não faz diferença e não tenho energia para ficar renovando essa coisa de sou legal.
Não existe energia mental para nenhum tipo de briga, nem pelo que é correto e já me acostumei. Não é costume a palavra, mas que trabalheira dá ficar procurando as palavras.

As pessoas mais próximas de mim tem problemas reais muito maiores que o meu (claro que pra todo esse mundo meus problemas são imaginários, afinal tenho tudo, até beleza) suas existências egocêntricas não permite espaço para mim, só quando esse mim (que sou eu!) se faz necessário por algum motivo, costumo ser uma boa distração, pois a despeito de tudo ainda me mantenho engraçada. Ninguém nunca pergunta nada e já me acostumei a deixar de responder, essa coisa de "como foi seu dia, sua semana, mês, está precisando de algo" só pode ser respondida: como ontem, como antes, não preciso de nada, tudo ótimo.

Por alguma razão obscura jamais saio da minha pequenez de coadjuvante, essa coisa de ser atriz principal deve cansar demais e já sou muito invejada apesar de não entender os motivos para isso.

Até de ser deprimida já cansei, agora só olho e balanço a cabeça, mais para que saibam que estou viva do que por concordância mas essa coisa de descordar gera muito atrito, então deixo pensarem que concordo.

Não falo mais antigamente porque acredito que essa palavra caiu em desuso total, sendo antigamente algum fruto irreal da minha inventiva imaginação.

Se alguém me prometeu qualquer coisa essa coisa é a primeira a ser descumprida, afinal quem sou eu para fazer reivindições a respeito? As pessoas tem problemas e preciso respeitá-las! As pessoas tem coisas importantes a cuidar, preciso esperar meu espaço e o tempo certo de falar as coisas. Mas esqueço. Aí quando abre essa brecha entre o tempo e o espaço que é praticamente o timing de passar um cometa pela terra, tchanam não lembro do que dizer.

Eu tenho uma saudade. De perguntar a alguém a minha volta: Você está bem? E receber um sim.
Nossa que vontade de falar com alguém que vai me dizer: sim, eu estou bem, e você?

É sempre um rosário de dores, como se eu fosse analgésico, problemas com dinheiro como se eu fosse banco, já se passou o tempo que achei que poderia ajudar qualquer pessoa, já descobri as dificuldades de ajudar a mim, então o restante da minha educação e sociabilidade ainda me obrigam a ouvir certas coisas.

Exceto por minha amiga que ligou para saber exatamente como EU estava e para me relembrar um pedaço de uma pessoa que já fui e lembro vagamente, dificilmente ouço algo positivo, minha mãe fala coisas vagas e desconexas, mas ela não conta aqui na atual situação alcoolica, e impressionantemente ela consegue dar bons conselhos!

De resto minha vida é tipo o facebook, várias pessoas vomitando filosofia que não cumprem e se engajando de mentira em alguma causa estúpida.

Sei que estou sendo dura com as pessoas que me amam e me rodeiam, mas que estranha forma de demonstrarem afeição elas tem as vezes, não dividindo suas escolhas, mas rapidamente dividindo seus fardos, coisa que gostaria de fazer eu também, claro!

E que pessoas chatas e reclamonas a minha volta, de uma forma generalizada, todo mundo reclama no meu trabalho de algo inerente... ao nosso trabalho, que canseira, me pergunto se sou assim (e sou, sou mesmo, já que semelhante atrai semelhante) e que porre de vinho barato devo ser (e sou também), porque sou a primeira a reclamar, para puxar as reclamações alheias, obviamente, como não possuo muitos planos para o futuro, preciso de assunto para falar, daí aceito falar até do mau tempo (que aliás nem me afeta, que não sou apegada a sol e chuva, aliás não sou apegada a muita coisa).

E tem que tomar cuidado com o que fala, porque todo mundo é muito sensível, não falo muito do comportamento alheio, sou incapaz de dizer para minha mãe o óbvio: que ela tá pesando a mão, imagina o resto?

É claro que deveria estar passando um pano no meu apartamento super empoeirado ao invés de destilar palavras dos quais vou me sentir culpada depois (faz parte de mim essa coisa de sentir culpa, sinto até pelos outros), mas estou optando pelo que me relaxa e dá sono e não pelo moralmente correto.

Hoje tenho tudo o que sempre quis, eu queria ser uma pessoa comum, eu lutei, declarei aos brados que queria ser uma pessoa comum, que tem coisas comuns, dessas que passam desapercebido, tal qual a mobília de um lugar muito visto, foi o que consegui.

Esse texto poderia se prolongar eternamente porque sou capaz (tenho minhas capacidades também, oras) de ficar me ludibriando horas procurando defeito nos outros, incapaz de achar mim (também tenho minhas incapacidades, oras) mas está na hora de passar um tempo me distraindo com alguma idiotice na internet.

















Um comentário:

rafaela disse...

Eu torço por você, torço para que você melhore, que fique um pouco mais tranquila. Você precisa de paz. Me identifico muito com você, em diversas coisas. Por favor, lembra que você disse que ia procurar uma terapia? Faz isso por você , você vai melhorar! Um grande abraço