quarta-feira, agosto 21

Lutas silenciosas

porque ando deprimida, só que tipo, minha avó se recuperando de um câncer, eu procurando um apartamento que caiba no meu atual parco salário, minha mãe super abatida, de um jeito praticamente irreconhecível pra mim (pra quem não sabe minha mãe infelizmente é alcoolatra, o que me faz pensar duas, três, trinta vezes antes de chegar perto de uma garrafa quando me sinto sozinha) e ela está tão nova.... e tão acabada, tão..... e eu me sinto completamente inútil, incapacitada de ajudá-la. E uma culpa enorme de amanhã ser tarde demais...
Acho que já falei aqui, mas meus pais são alcoolatras, os dois.
Não vou esmiuçar isso porque algumas pessoas devem ter uma ideia disso, familiares alcoolatras... enfim.

Eu não tenho coragem de dizer o tamanho do meu pavor e da minha dor diante de tal quadro. Todo dia minha mãe luta uma batalha invisível, que perde. E diminui a olhos vistos.
Eu daria qualquer coisa da minha vida, anos, um braço, uma perna, qualquer órgão, tudo o que nem possuo para que ela ficasse bem e sua saúde voltasse. O que me faz me sentir sozinha é que sou filha única e não tenho ninguém para dividir a angústia no meio. Acabo não fazendo nada, porque nunca sei o que fazer. Só fico em desespero.

Eu já sabia de alguma forma, mas quando a vi nos últimos dias, nossa que porrada, dessas que deixam a cabeça paralisada e o resto perde o significado real. Mas aí a vida continua o trabalho não espera, a vida não espera que a gente pense no que fazer. Não há tempo hábil para estudar, pensar em ganhar mais dinheiro, é simplesmente opressivo.

Já fiz o que faço nessas situações, jogo pra Deus porque eu mesmo não sei ajudar ninguém, mas nem isso me alenta mais.

Agora é esperar que os dias embotem tudo de novo, que consiga sair do automático e pensar em algo, pensar em algo.

4 comentários:

Ana Paula disse...

Sei exatamente como é isso, meu pai é alcoolatra há anos. Só que ele não assume. O pior de tudo é isso, ele não reconhece que tem um problema e não faz absolutamente nada pra mudar. Acho que lá no fundo no fundo ele sabe. Não há um dia sequer que ele nao sai pra "tomar uma". Ele não compra a garrafa pra tomar em casa, ele tem que sair, ir pro bar. Já tive que ir mts vezes atrás dele no bar. Eu sei que chego lá xingando e querendo quebrar tudo, mas eu faço isso porque eu perco minha cabeça, porque meu coração já está despedaçado de tantas vezes que passei por isso e nada no mundo faz ele entender que brigo tanto porque ele é tudo pra mim. Além disso, ele tem mania de sair e demorar uma era pra voltar, e minha mae e eu ficamos em casa preocupadas, sem saber onde ele está (claro que ele nunca leva o celular), imaginando o que pode ter acontecido. Se o telefone toca, eu só falto morrer do coração, eu já imagino que é a policia, que é de um hospital, só penso merda. É muito dificil. Sei como vc se sente, de verdade. Como vc disse, é uma luta silenciosa. Cada dia pra eles é uma batalha, mas pra familia, tb é. Desde pequena eu vivencio isso, a familia da minha mãe é devastada pelo álcool. Por isso que não entendo como tem gente de 13/14 anos que fica ai enchendo a cara, que posta foto em facebook bebendo vodca, como se fosse algo pra se orgulhar. Aquela garrafa, aquele copo, representa a cruz e a ferida pra uma pessoa que tem um familiar dependente de álcool. Claro que já bebi cerveja com meus amigos, não vou ser hipócrita de falar que não, mas vc entende a diferença entre tomar uma cerveja com as amigas depois do expediente e encher a cara pra "chocar a sociedade", coisa de adolescente vazio sem nada pra fazer. Enfim, desculpa o comentario enorme, só queria dizer que te entendo e que espero que as coisas se resolvam pra vc..

Tem tanto tempo que acompanho seu blog, antes até um que vc tinha sobre dietas malucas há 300 anos e etc. Nunca comentei, mas tive que falar agora.
Um beijo

Ana Paula

Afrodite disse...

Amiga,
A merda aqui em casa é tanta que nem tempo de ler vc eu tenho.Mas qd precisar me manda sinal de fumaça e conversamos.Sei o que é ter pais assim...meu pai era.Não te esqueço!Bjo!

Nádia Galdino disse...

Acho que agora é a hora em que você deve pedir ajuda. Você tem aguentado tanta coisa sozinha... só vai poder ajudar sua mãe a partir do momento em que você mesma começar a ficar bem e ter forças novamente. Enfim, nem vou sonhar em dizer que eu entendo. Nunca passei por nada do tipo... meu avô materno era alcoólatra, mas nem convivo com ele, nem convivi nessa época, então. Só tenho acompanhado seu processo há algum tempo e resolvi comentar porque você mesma manifestou vontade de procurar ajuda profissional. No mais, tô torcendo por você. Se cuida, de verdade! Abraços!

Aline disse...

http://www.youtube.com/watch?v=srFqt3eQUjg

Tua cara, Cristal. Fica bem. Beijo!