segunda-feira, setembro 19

O desmantelamento do pensamento consumista

Eu disse que ficaria um ano sem comprar diversos itens, infelizmente não consegui, porém quando você tem uma ideia dessas dificilmente aquilo te abandona, é uma coisa que você vai pensando, a coisa vai tomando forma e você percebe que sim, tem coisas demais. Eu talvez tenha muito mais que você, mas você também tem muito.

Sendo um impulso comprar, consegui literalmente juntar muitas tralhas, mas ela só passou a me incomodar quando realmente descobri qual era o problema, e o problema era fundo, muito fundo. Quando compramos algo afirmamos que podemos comprar ou ter aquela coisa, e o poder, do verbo poder é muito importante para nós. Sendo eu muito carente, com vários recalques tudo o que sempre quis foi poder alguma coisa, e assim as coisas foram desandando. A desordem causada por ter coisas demais sempre me distraíram da causa principal, que é não querer entrar em contato com algumas emoções... então arrumar, comprar, almejar, organizar sempre tomou muito meu tempo.

De repente, com esse desemprego tive tempo para ver, na verdade fui obrigada, e depois a meditar, pensar e emoldurar tudo o que estava me incomodando, principalmente a dedordem, meu guarda roupas não fecha as portas e nunca conseguirei usar todas as minhas maquiagens.
Decidi com ajuda de reflexão, terapia que não é isso que quero, fiz umas cinco frentes de trabalho que me exauriram e está longe de acabar.

Peguei minhas maquiagens e fiz um queimão em um grupo da internet, vendi um tanto bom (é muita coisa) depois fiz o mesmo com perfumes, vendi dois, vendi uma bolsa, doei um cacete de roupas e roupa de cama e... estou jogando muitas coisas fora, potes sem tampa e coisas que realmente não tem serventia.

O que é vendável eu vendo, o que é trocável eu troco, e assim vamos.


Vocês não fazem ideia do turbilhão de emoções que é se desfazer das coisas, das SUAS COISAS, MEU MEU MEU eu comprei, eu trabalhei, só que uma hora, do nada você percebe literalmente que você não PRECISA dessas coisas, aí vem uma sensação de vazio, que tem uma paz embutida mas é um meio terror perceber que durante todos esses anos você esteve envolto em uma massa, um paradigma, uma doença que você precisava de tal coisa para estar in, talvez os homens não entendam tanto... mas tem muitas coisas para mulheres, bijuterias, maquiagens que entra e sai da moda em milésimos e você quer estar dentro da turma, só que você NUNCA está dentro da turma, porque a turma NÃO EXISTE. Existe um sistema de querer que você acredite que essa turma existe, mas o que existe é a corrida eterna de tentar entrar nela.

Meu cu caiu, como assim eu não sou descolada com meu baton azul? Não, eu nem terminei de usar o roxo, e será que quero um baton azul? Não. Quando respondi esse não, esse enorme não para tantas outras coisas, foi diminuindo minha ansiedade, minha necessidade, de repente soube que não estava produzindo, estava ocupando, só ocupando, em um radicalismo digno de mim, cada dia arranco um pedaço, questiono, porque desse objeto?

Já vendi 4 livros, sei o que está escrito neles, não tenho intenção de relê-los, então porque???? *(um deles é até repetido!) Quando me dei conta que menos é mais literal.... um enorme abismo se abriu, porque não é uma mera questão de consumir, não tem nada a ver com o planeta (se essa é sua vertente beleza) é uma questão de estar em um círculo e nunca se perguntar, porque estou aqui nessa bosta de círculo que preciso de 30 calças? Seja qual for seu exagero, qual a necessidade dele? Tem um vazio que nunca será ocupado com essas coisas, você tem que "crescer" por dentro e ocupar esse prórprio espaço.

Coisas que nos prendem a nos desfazermos das coisas: "isso será útil" "isso já foi útil" "foi presente" "custou caro" - sinceramente tenho muitas dificuldades então algumas coisas exigem radicalismo.
Eu dizia todos os dias que "ia arrumar as maquiagens para vender" só que essa desordem que  era o grande barato, aí eu fiz o que as fotos abaixo mostram.











Peguei as fotos, assim, vergonhosas, desorganizadas, sabendo que seria muito constrangedor, muito constrangedor, MUITO CONSTRANGEDOR, peguei essas fotos joguei nos meus grupos femininos e disse "estou fazendo um queimão, alguém tem interesse?" - claro que algumas falaram "putaquepariu você tem coisa pra caralho" - e conforme foram perguntando, você tem rimel, baton cor tal, base, blush eu fui separando e vendendo conforme, obviamente não vou vender nada fora da validade ou sambado, então várias coisas já foram "lixadas" só de ter que verificar. O dinheiro também é bem vindo apesar de estar vendendo barato, porque algumas coisas estão usadas, vamos ser realistas e justos. Os livros fiz a 10 reais e foda-se.

Eu tenho um compromisso profundo com meu bem estar, minha felicidade e satisfação, e já disse várias vezes que não tenho medo de fazer o mais absurdo para chegar ao lugar que quero.

Além de estar me fazendo um enorme bem (apesar do medo) estou o tempo todo afirmando que não preciso de ter estoque de nada porque não vai faltar mais nada na minha vida, e que o espaço que está sendo aberto será preenchido por coisas muito maiores.

As vezes a gente não tem a dimensão do que uma ação pode fazer pelo restante, então vou falar a ÚNICA coisa que impede a gente de fazer isso ou qualquer coisa, agir, o palavrinha do caralho. Fazer.

Vocês acham que uma pessoa mega crítica como eu queria expor a figura ao ridículo de que pessoas soubessem que tinha mais de 100 batons? Alguns REPETIDOS??? Morri de vergonha. Mas foi meio já que temos que fazer, faremos.

Vendi um tanto, um tanto foi para o lixo e sinceramente isso é só o comecinho do comecinho. Vamos ficar com o que importa e investir o tempo (que parece sempre faltar, será?) em coisas mais importantes que baton.



PS: Nunca pedi isso aqui, mas se puderem, divulguem o texto acima? Pode ajudar alguém com um problema semelhante, as vezes nós temos nossos monstros e descobrimos que outras pessoas tem também, e isso humaniza os comportamentos que temos vergonha por achar que estamos fazendo algo errado e não estamos!!! Mas nos culpamos por isso... e é isso que não nos tira do ciclo. 


4 comentários:

b. disse...

ser humano é um troço interessante né... comigo acontece totalmente o oposto. eu amo jogar coisas fora, quero dizer, eu preciso jogar algumas coisas fora todo dia, pode ser embalagens, papeis velhos, coisas que estão prestes a acabar... eu cato coisas pela casa pra jogar fora, amo ver o saco de lixo cheio... gosto de catar coisas pra doar também... me sinto bem depois disso. Já procurei saber e descobri que é uma espécie de TOC, algo ligado à ansiedade. Cada pessoa processa as coisas de formas diferentes. beijos

Camila Fortes disse...

Eu leio seu blog por anos... Acho que é a terceira x que comento!
Mulher nunca vi alguém tão parecida comigo. Fiz um pouco desse desapego nesse ano, após perder um puuuta emprego. Em seguida entrei em transição capilar, foi libertador e desesperador cortar o cabelo. Pensar que aquele cabelo longo, milimetricamente trabalhado no alisante e na chapinha que eu achava q me coloca num grupinho, na verdade, não me colocava em poha nenhuma.
Em seguida fiz o entulho de cremes novos pro cabelo novo, te falar que tenho produto de cabelo para usar até o fim do ano que vem...
É foda, parece que o ciclo nunca termina.
Esse você DEVE TER, vai ficar MAIS BONITA, MAIS ATRAENTE, MAIS FODA...
E perdemos a essência gastando o tempo com isso. Cabelo, unhas, roupas, maquiagem, sapatos e bolsas!
Espero que você fique bem e supere.

Sarah Brenda disse...

Acompanho seu blog desde os meus 17 anos... poucas vezes deixei algum comentário mas sempre me identifiquei com vc em muitas coisas...passei por um processo semelhante a esse seu o de comprar descontroladamente e o de desapegar e entender q nao preciso de tanto pra viver...faço terapia e terapia espiritual num centro espirita e isso me abriu a mente pra mta coisa principalmente nesse assunto de consumismo..de qrer ser/ter/fazer parte de algo...aprendi q menos é mais e hoje sou uma pessoa mais leve...

Sarah Brenda disse...

Acompanho seu blog desde os meus 17 anos... poucas vezes deixei algum comentário mas sempre me identifiquei com vc em muitas coisas...passei por um processo semelhante a esse seu o de comprar descontroladamente e o de desapegar e entender q nao preciso de tanto pra viver...faço terapia e terapia espiritual num centro espirita e isso me abriu a mente pra mta coisa principalmente nesse assunto de consumismo..de qrer ser/ter/fazer parte de algo...aprendi q menos é mais e hoje sou uma pessoa mais leve...