quinta-feira, dezembro 6

Água.

No dia que marquei esse teste para hoje, deveria estar em um momento iluminado, mas não ouço meu sexto sentido...

Eu tinha todo um texto engraçadinho para colocar aqui, do meu maiô ridículo que é tipo da abertura do Fantástico nos anos 90... tá não é, mas na minha cabeça é, de estar fora de forma, até que eu caí na água. E o texto mudou.
Vamos a alguns esclarecimentos, já nadei bastante no passado, em um passado realmente longo, em uma fase muito turbulenta e não importa.... enfim... mas meu professor não precisava saber, isso fazem 10 anos!!!!!

A primeira coisa que senti quando caí na água, é que eu nao ligava a mínima para o meu maiô, nem para o estado atual da minha vida, e tal qual como uma pessoa que vê sua vida de trás pra frente, senti a mesma coisa, me lembrei que a dez anos quando a água fechava sobre a minha cabeça nada mais importava, nenhuma droga birita cigarro remédio pra cuca chegou perto do nível de transcendência que eu sinto nadando, deve ser algo que algumas pessoas sentem quando meditam e se soltam do corpo, é o nível de pensamento zero, nada o vazio. E eu sabia que queria aquilo. Eu me vi caindo na água no inverno, na chuva, no cansaço, so pra sentir aquilo. Que não me faltava nada do que imaginava, que só precisava daquela paz uma hora e que poderia recolocar minha vida no eixo.

Quando voltei pra realidade, coisa de meio minuto depois tinha um professor para me testar e eu queria estar naquela turma, naquele horário, queria passar no teste. Mesmo sem saber qual era o teste.

Ele me pediu para nadar uma piscina inteira ida e volta estilo livre para ver se eu sabia nadar qualquer coisa e aí que te falo, que falta faz dois pulmões. Eu nadei é claro, mas quando voltei não tinha nenhum fôlego, zero, eu respirava mas minhas células não conseguiam levar oxigênio para o meu cérebro, puxava o ar e nada de oxigenar e fiquei tonta, tive uma "ausência" mas o professor já sabia porque avisei que fumava a muito e tals. Voltando pra dentro do corpo pela segunda vez bateu o desespero. Eu tenho 27 anos e estou morrendo.
Morrendo viva de insuficiência respiratória. Nova. Bonita. Inteligente. Claro que isso tudo era o barato da falta de oxigênio e eu sabia disso desde mil anos atrás, é igual pedir um fumante qualquer pra dar uma corrida de 1km no tiro, na hora que ele parar se bobear desmaia. Fato.

Pedi um minuto, fiquei boiando igual merda e o resto do teste foi daí pra pior, nadar sei lá, borboleta, crawl, pular, mergulhar, garrafinha, costas, bater perninha e isso tudo eu sem conseguir respirar direito, desesperada querendo respirar, achando que ia morrer ali mesmo, não tô dramatizando, foi real, quanto mais ele pedia pra eu nadar mais desesperada eu ficava porque queria passar no teste, ele vendo meu desespero e falando: cigarro mata (cemijura) e teve uma hora que respirei tão alto que a menina da raia do lado me olhou como se eu fosse sei lá asmática em nível de crise terminal.

Foi triste, mas foi o maior choque de realidade que precisava ter, não tive CORAGEM de acender um cigarro depois da aula de natação. Eu quero, mas de lembrar da minha sensação de semi morte me dá agonia, (até amanhã quando acordar com uma vaga lembrança) mas arrá, já tem aula amanhã de novo.

Claro que passei no teste, porque sou foda (bosta nenhuma foi porque me esforcei) boa técnica mas condicionamento físico ruim, posso fazer aula nesse horário de 20 as 21 de terça a sexta.

Quando saí da psicina eu era só uma geléia, juntando com a aula de ontem estava literalmente me tremendo e com as pernas bambas. Sentei no vestiário de um jeito que só Jesus me levantava dali, e eu era só náusea e dor de cabeça por causa do esforço-baixa oxigenação, sabia que se me ajoelhasse vomitaria até o pulmão, mas precisava andar uns 500 metros até o ponto de ônibus,  e pensava que poderia vomitar em casa caso a náusea não passasse, sem falar que eu parecia uma bêbada total, andava de lado toda hora e tinha aqueles olhos meio pétreos.

Fiz a inscrição obviamente, caguei para meu maiô, vou comprar aqueles macaquinhos de hidroginástica porque posso ficar sem me depilar feito a louca do maiô cavado. Mesmo que essa porra seja cara, e tem o óculos e a touquinha, mas também vou comprar nem que tenha que empenhar meu rim direito - o pulmão nem dá pra empenhar.

Quando levanto meus braços aquela dor na lateral das costas, na asa, é tão familiar que é impossível não me sentir nostálgica, sei que amanhã mal consigo levantar os cotovelos para prender o cabelo, mas sei que é pro meu mais alto bem.

Amanhã temos natação de novo. E vou tomar banho quentinho e cair na cama morta, que é mais um dos benefícios da água, dormir feito um anjo.




2 comentários:

Lívia disse...

força na peruca!

disse...

é assim que a vida evolui.
se afoga NÉM!